Cultura

De traço em traço, retrato

Arte engajada em São Paulo se revela em experiência metalinguística

Por Tamara Nassif (tams.nassif@gmail.com)

É só abrir os olhos que a gente sente.

Luzes da cidade piscando, sapatilhas das bailarinas em meia-ponta, vendavais de gente em volta de um palco de música popular brasileira, som do atrito do pincel contra a paleta, notas de jazz em algum barzinho no centro, as risadas de crianças em ruelas do Capão Redondo e zumzumzum de carros na Rua da Consolação.

Entre prédios de concreto e olhares automáticos voltados para pés, o que faz da cidade tão humana é o que nós, humanos, fazemos dela e nela. E em cada esquina de São Paulo tem um tantinho de gente ali, marcada em um pavimento pelo qual já passaram tantas histórias e tanta chuva da terra da garoa, em uma parede que já foi pintada e apagada por tinta de todas as cores.

Cada cidade tem sua fisionomia, seu rosto, sua história impressa em cada uma das rugas de asfalto e veias e artérias de linhas de transporte subterrâneo.

Na epiderme de São Paulo, a gente vê o rubor de uma vida emergindo que se traduz em cor, em cultura, em tinta spray e em erupções de pessoas caminhando descompassadas, cada qual com a mente em um universo próprio e pessoal.

Na epiderme de São Paulo, a gente vê a afluência do que é arte.

E, na arte, quase como traços étnicos e genéticos que diferenciam uma pessoa de outra, a gente vê o que uma cidade é, de fato.

Nas palavras da antropóloga Carolina de Camargo Abreu, a arte, em especial a de rua, são gritos de uma sociedade que roga para ser assimilada e visível, independentemente de seu viés, seu objetivo, seu fim. É o caso dos grafites e pixos, que tatuam a tez pálida e acinzentada de São Paulo com seus desenhos coloridos e letras indecifráveis para quem vê de fora. São o inconsciente da cidade, tal como a teoria freudiana e os postulados da nossa psique. São a grande massa de iceberg que fica escondida dentro da água, mas que compõe essa estrutura, essa essência, integralmente.

Carolina de Camargo Abreu no coletivo casadalapa (Foto: Tamara Nassif)

O grafite e o pixo se imprimem como arte urbana, porque, como todo tipo de Arte, são capazes de gerar alguma coisa dentro da gente. Um quê de sentimento, de interesse, de curiosidade. Faz o coração pular em questionamento, em dúvida, em qualquer tipo de inquietação.  Por trás de todo traçado reside uma marca humana, uma pegada de quem já passou por ali e viu, em um muro ou em uma ruela, uma forma de se eternizar e de eternizar a humanidade de uma cidade perene, mas inconstante e passível a todo tipo de mudança.

De cor em cor, curva em curva, a arte logo se torna política. Muitas vezes, o que a gente acha que é arte política é aquela que exterioriza, logo de cara e com clareza, suas intenções e desejo de intervir e de transformar a realidade de alguma forma, seja por meio do próprio discurso ou do meio em que ela se insere para tanto.  Mas isso é um passo em falso.

Tudo é política, em seu sentido mais amplo: aquilo que diz respeito ao que é notadamente público, ao que é composto de organização social por pessoas e para pessoas. Como disse Carolina, “se a arte é um conjunto de linguagens, essas linguagens são para falar do mundo, de questões da humanidade e questões de um momento histórico que se traduz por meio da arte”. E não há nada de mais político do que falar do mundo e de questões que se apresentam para nós como sociedade. Até mesmo o desenho de uma borboleta, despropositado e livre, tem uma finalidade política, ainda que os dedos que o coloriram não tivessem esse objetivo. É por ele estar inserido numa cidade ou num papel e por ter um fim em si próprio. É por passar uma mensagem e ela, de algum jeito, fugir da normalidade, da pacatez, do ordinário.

Não transmitir coisa alguma também é política. A isenção, desde que o samba é samba, já diz muita coisa por si só. Uma arte que apenas enche os olhos de  beleza e de encantamento também é política, porque está usando cores, traços, sons, recursos, tempo e mobilização de pessoas para provocar essas impressões. Carolina contou, entre um golinho de café e outro, que “se a arte é o próprio desenho, a própria linha, então essa linha já contém a sua mensagem política”.

E da política ao engajamento só é preciso um salto de amarelinha.

Em contextos tão bagunçados como o de hoje, arte pode ser a faísca necessária para incandescer fogos de artifício. Ela consegue iluminar lutas que estrondeiam por mudanças, por uma realidade que não seja tão cheia cinza e de espinhos, e tirar o nosso fôlego em uma chuva de cores e traços como em noite de ano novo. Ela tem um poder transformador e amplificador deveras impressionante, e é o artista que escolhe o impacto e a intencionalidade de seus desenhos por traços e percepções tão singulares e autorais.  Foi assim que a artista de rua apelidada de Mag Magrela falou em meio ao fuzuê irradiante do Centro Cultural São Paulo. Entre um passo e contrapasso de um grupo de dança e uma reencenação do Auto da Compadecida por um de teatro, Mag disse que a arte é o que a gente faz dela – e o que ela, como tantos outros artistas, escolhe fazer é tentar mudar o mundo de alguma forma.

Mag Magrela no Centro Cultural São Paulo (Foto: Tamara Nassif)

O impacto que os traços trazem vem da possibilidade de serem educadores, de terem a virtude de transformar e de causar uma revolução dentro de cada ser. A arte, principalmente a de rua, consegue entrar e se instalar na vida, na cabeça, no consciente e no inconsciente das pessoas muito mais facilmente do que um romance de Clarice Lispector – e ainda ser tão complexa quanto.  “Você pode falar de coisas muito sérias de um jeito muito bonito, mais fácil de ser assimilado”, Mag contou, balançando os brincos cor de rosa. E isso vem para iluminar causas vitais, seja com grandes holofotes ou pequenas lamparinas: “a gente alimenta esses lugares, pessoas, grupos que precisam de força, e a arte pode ir até eles e dar um pouco de visibilidade que seja. Já faz diferença.”

E, devagarinho, mais pessoas ficam sensibilizadas e cientes de questões sociais que pulsam no coração de São Paulo, ou ainda do Brasil e do planeta inteiro. A arte dá voz a quem é emudecido por preconceitos, por violências de todo tipo. Consegue engendrar a conscientização necessária para entender que causas como o movimento negro,  o LBGTQI+ ou o feminista merecem ser ouvidas e vistas de olhos bem abertos. Faz repensar valores e também cria a noção de que, se uma certa atitude fere alguém de qualquer jeito, essa atitude deve ser podada pela raíz.

“Outubro Rosa”, por Grazie Gra (Imagem: @grazie_)

Como as mulheres da artista Grazie Gra, que surgiram bem no começo de todo o seu trabalho como uma forma de apenas expressar o que, para ela, representava terra, “o radical de força geradora e todos os derivados que podem conter no ser feminino.” Nos dias de hoje e por conta de um empurrãozinho que as artes ao redor de Grazie trouxeram, elas passaram a ser parte do movimento feminista e a amparar a causa pela simples representação.  

A arte germina empatia dentro de cada pessoa que a olha. Talvez por trazer bonequinhos, cores, floreio e gerar um sentimento de identificação, como acredita Mag Magrela. Talvez por despertar alguma coisa que a língua portuguesa ainda não deu nome, mas que carrega o peito de peso e de vontade de mudar nossa realidade de alguma forma.

“O caminho do bem”, por Mag Magrela (Imagem: @magmagrela)

A arte e o engajamento andam lado a lado, como bons amigos, há muito tempo. Foi o que Carolina me disse ao citar os teatros russos agitprop (agitação e propaganda) que emergiram em meados da Revolução Russa, em 1917: “o teatro é um contar de histórias como uma arte absolutamente engajada. As de agitprop eram sketchs teatrais para tentar engajar a população rural afastada, ou mesmo a urbana, para efervescer e aumentar o corpo dessa Revolução.” Em um contexto bagunçado, eram essas atrizes e atores que visitavam vilarejos para fazer pequenas encenações e convidar a população mais pobre e não alfabetizada da Rússia a conhecer o comunismo.

“No teatro existe toda uma tradição de arte engajada e de arte que se faz como ferramenta política”, disse Carolina, com os olhos brilhando ao me contar algo que deixa o coração dela cheio. Também existem outras formas, em especial em artes visuais, que marcaram a história pelo jeito tão singular de trazer engajamento.

O dadaísmo é um exemplo, a começar pelo próprio nome, gerador de tantos boatos e mitos: a palavra dada, no francês, significa “cavalo de cepo” e, como reza a lenda, foi escolhida para encabeçar o movimento por ter sido aleatoriamente marcada por um estilete em uma página de dicionário, também aberta aleatoriamente.  O uso deixa claro o non-sense ou falta de sentido que uma linguagem pode ter, como nas primeiras falas de um bebê.

Mas o movimento não se resume a um vaso sanitário no centro de uma sala de museu ou pintar bigodes na Mona Lisa e chamá-la de L.H.O.O.Q. ou “elle a chaud au cul“, que em português seria o equivalente a “ela tem um rabo quente”. Ele questiona espaços, construções e racionalidade da arte, elitização, espaços fechados e formas de falar e se portar. Como Carolina disse, “na hora que o dadaísmo põe em cheque essas questões, há uma repercussão política de reflexão intencional que está provocando a rachadura da instituição do que se chamava Arte.”

O surrealismo também fez tremer redes tão fixas em que artistas balançavam. Ele trouxe outras formas de fazer novas linguagens para dentro da tela e elas vieram do que era suprimido ou refreado, como nosso subconsciente. Ele teve potência política de transformação, de questionamento, de transparecer o que há de mais humano na arte. Movimentou dentro de cada pessoa um sentimento de identificação e, muitas vezes, de deslumbramento a ponto de tirar o fôlego. De tudo que a arte do fluxo de consciência trouxe para nós, a veia engajada dela foi a que mais nos marcou e tocou de alguma forma.

No Brasil, as décadas de 80 e 90, para além de “Anos Dourados”, de Chico Buarque, foram assinaladas por muitos artistas indo às ruas por pura militância e engajamento: sem fins lucrativos, sem fins estéticos e sem ao menos autorização legal para tanto. Pintar na rua era crime, era depredação do patrimônio público e era também uma das formas mais puras e genuínas de tentar vociferar o que era tão emudecido pela ditadura civil-militar. Era a liberdade ganhando tons e sendo conquistada, posteriormente, com a redemocratização e com a arte dando as mãos à política, em seu significado formal. Carolina contou, também, que “muito foi feito de forma militante e engajada, sem recursos e sem objetivar qualquer tipo de retribuição financeira, porque isso era um princípio que existia, e existe até hoje, na arte engajada.”

Isso quer dizer que a arte engajada não se permite ter valor monetário e ser vista como mercadoria, igual a um pãozinho de padaria ou um porta-retrato. Na opinião de Carolina, na hora em que há captura dessa arte e transformação dela numa mercadoria de galeria, ela perde a sua potência política. Ela vira um enfeite, uma fotografia que nada diz, um disco de vinil que, de tão arranhado, não toca mais com o mesmo viço e faz o samba soar diferente. Menos samba, mais disco. Uma arte engajada perde o seu potencial de atingir o maior número de pessoas possível, de mudar o maior número de vidas possível. O impacto que ela pode fazer dentro da salinha de estar de alguém é tão pequeno, tão parco e irrisório que tudo que ela pode, de fato, transformar é sua composição de cores. “O uso social feito da obra faz com que ela tenha um maior ou menor potencial político”, disse Carolina. Foi o caso, por exemplo, de Duchamp levando o vaso sanitário para dentro do museu, sendo bastante provocador e muito político.

O engajamento na arte tem muitos rostos diferentes entre si e todos são igualmente bonitos e impactantes. Vem pelas causas sociais, pelo questionamento do que é arte, pelo afloramento dos nossos traços psicológicos, pela militância. Vem também disfarçado, usando fantasias coloridas e que não se deixam passar despercebidas.

São as intervenções artísticas urbanas, que colorem as mais inusitadas situações, cruzam nosso caminho e nos fazem despregar os olhos do chão. Elas despertam a gente do nosso torpor e da nossa imersão em questões que fazem nosso peito apertar. Elas soltam esse aperto do peito. Desde um jardinzinho no meio da rua às frases poéticas de lambe-lambes ao músico que entra no vagão do metrô com um violão cantando Alceu Valença, as intervenções se mostram para nós e nos tiram do eixo por alguns instantes. Ainda que só por dois, três segundos, elas conseguem nos instigar a ponto de nos fazer parte dela, de fazer questionar sua intencionalidade e o impacto que traz por estar diante dos nossos olhos de forma tão desprevenida.

Faz a gente se derreter em microssegundos. Mag Magrela contou a impressão dessas intervenções, deslumbrada, dizendo que “é muito lindo você não esperar que aquilo preencha teu coração num lugar que é opressor”. E a cidade, de fato, é muito opressora quando nós estamos imersos no nosso próprio caos. Ela embarga o escorrer do fluxo criativo da mente aos dedos, voz, corpo, e é a arte que permite que a gente se desprenda dessa opressão.

Coletivo casadalapa (Foto: Tamara Nassif)

Calar a arte também é oprimir. Foi isso que aconteceu em 2016, com o “Cidade Linda” da gestão de João Doria. Para além da intenção política, no seu sentido mais formal – de negar os projetos de Fernando Haddad, de promover um antagonismo político e se autoafirmar -, foi uma forma de camuflar a humanidade de São Paulo. Como Carolina disse, o programa “tentou retirar a intervenção na estética da cidade, criando uma cidade cinza, homogeneizada, que traz a ideia de ordem e de que não existem pessoas.” E tirar pessoas de uma cidade é torná-la não-humana. É apagar alguns dos traços que a individualizam, cobrir com maquiagem marcas do rosto que São Paulo têm, tão singulares e únicas. É impedir a afluência da arte na epiderme da cidade.

Mag disse que a maior questão no Cidade Linda foi sufocar uma forma de expressão e criminalizá-la. Virou uma censura nem tão velada assim, uma vontade de calar o quê e quem contava sentimentos não bem-vindos, que não eram lindos quando vistos dentro de uma caixinha fechada e recheada de uma arte que trajava sempre os mesmos uniformes.

O que há de mais bonito na cidade vive na ideia de que ela não é uma só. São Paulo é um mundo, um compilado de tantas faces e histórias que torná-la homogênea, cinza, seria o equivalente a apagar a identidade de um povo que clama pelo direito de ser o que é. A arte é essa identidade e apagá-la é negar a existência de toda a lindeza que é São Paulo. É ensurdecer a música, o samba, a voz, o ritmo de uma cidade que respira por meio dos pulmões de artistas e que se reproduz pelo seu ventre cheio de cor, de vida, de pinceladas.

Coletivo casadalapa (Foto: Tamara Nassif)

Julio Dojcsar, Julinho, é grafiteiro e cenógrafo há muito, muito tempo, e foi uma das pessoas com quem conversei sobre o Cidade Linda. Ele contou que pintar São Paulo é uma prática perene. Vem gestão, vai gestão, os artistas de rua permanecem ativos, colorindo traços da cidade e trazendo os próprios, humanos, para o cotidiano, que muitas vezes passa batido: “a vida continua do mesmo jeito, o Dória vai passar e a gente vai continuar pintando a cidade.”

Tanto Julinho quanto Carolina fazem parte de um coletivo chamado casadalapa, um reduto de arte que pulsa vida no bairro da Lapa e um dos lugares mais bonitos, mais tocantes que já tive a oportunidade de ver de tão perto.

É um carrossel de tintas, de cores, de coisas que só se entende bem com o coração. Da energia ao café passado e à confusão do sal por açúcar, tudo ali era um amálgama de arte e de humanidade difícil de transpor para o papel. Uma casinha que mostra o que tem de mais humano no humano, com paredes inteiramente cobertas de lambe-lambes, de grafites gigantescos, de poesias soltas, de vasos de planta, de frases que fazem a gente pensar para além da gente. E foi lá que eu vi alguns dos significados que a arte pode ter.

Coletivo casadalapa (Foto: Tamara Nassif)

No quintal, Carolina me contou com tanto gosto o porquê de nós, como seres humanos, fazermos arte. É porque a arte é o que tem de mais humano: “não é uma necessidade, é uma realidade.” Nós somos arte, em nossa essência mais viva.  Somos cor, pincelada, traço, retrato, engajamento, contorno. O rosto da cidade é o nosso, multifacetado, plural, diverso, congregador.

“A arte tem a ver com experimentações, ensaios, o inesperado e é sempre marcada pelo extraordinário, porque ela vem como uma subversão do que é previsto. Isso faz parte da nossa vida desde sempre”, ela me disse. A arte é experimentação, é abstração. Mas também é uma infinidade de sentimentos e definições que variam dentro de cada coração que pulsa mais forte ao ver um desenho de flor brotando ou uma peça de teatro.

Para Carolina, arte é sobre mobilizar sentimento, gerar qualquer tipo de reflexão dentro das nossas mentes, e também sobre não ser um estanque: “é saúde, educação, ocupação, memória, corpo, no sentido de possibilidade humana de fazer e se colocar, compartilhar. É mistura de gerações.” Para Mag, arte é o que a norteia, o que a guia e dá sentido para sua vida. “Ela me leva para lugares lindos, no sentido da conexão com as pessoas mesmo. Eu sinto que a arte quebra todos os tipos de barreiras, problemas, preconceitos, tudo que poderia existir que separa um ser humano de outro.” Já pelos olhos de Grazie Gra, é o que a move, a consome, no sentido mais bonito da palavra, o que a fez entender seu lugar no mundo e a criou como pessoa, “é uma das coisas mais complexas que existem.”

Arte é luz, dança, som, desenho, poesia. É o que vibra na cidade e o que a humaniza. É corpo e o que dá corpo para São Paulo. Em cada canto de esquina e canto de voz, a gente consegue sentir na pele erupções e magnetismo de quem é arte com o que é arte.

Como disse Caetano Veloso, “alguma coisa acontece no meu coração/ que só quando cruza a Ipiranga e avenida São João”. Ainda bem que todas as ruas e cruzamentos de São Paulo fazem o coração disparar e se inquietar assim.

E é só fechar os olhos que a gente sente.

Coletivo casadalapa (Foto: Tamara Nassif)
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