Esporte e Lazer

Navegar é preciso

Novas formas de viagem provam que, longe do impensável, o turismo é mais fácil do que se imagina

Por Thaislane Xavier (thaislanexavier@usp.br)

Conhecer o mundo é o sonho de boa parte da população, mas nem sempre a realização dele é simples assim. Vários problemas são encontrados por quem quer se aventurar, entre eles, a falta de dinheiro. Por isso, muitos meios de contornar esse problema estão sendo criados, entre eles estão o CouchSurfing, IDJovem, Volunturismos, trabalhos em navio, Hostels e o BláBláCar.

Há um número crescente de pessoas procurando desbravar o mundo e, para informá-las sobre qual a melhor forma de fazer isso, blogs estão sendo criados. Experiências e dicas são compartilhadas com milhares de pessoas ao redor do mundo.

Passagens com preços inalcançáveis, diárias em hotéis que são impensáveis, restaurantes com cardápios feitos para agradar o paladar, não o bolso. Esses são só alguns dos principais problemas enfrentados por aqueles que têm vontade de viajar pelo Brasil e pelo mundo, mas não possuem um orçamento que colabore com essa vontade. Para ajudar essas pessoas a viajarem mesmo com pouco dinheiro estão surgindo novas formas de fazê-lo economizando muito e tornando possível a realização desse desejo.

Uma dessas maneiras é o CouchSurfing. Criado em 2003 pelo americano Casey Fenton, o site tem o intuito de promover uma interação cultural entre pessoas de diversas partes do mundo de maneira gratuita. Nele, são oferecidas acomodações para viajantes que estão à procura de um lugar para se instalar durante sua passagem por uma cidade.

Uma possível dúvida que pode surgir é: as pessoas recebem e ficam hospedadas na casa de completos desconhecidos? A ideia pode parecer meio maluca, mas é exatamente isso. Quem procura abrigo verifica o perfil de quem oferece, e vice e versa, eles trocam contato e se comunicam para decidir detalhes da estadia . Por isso, é muito importante ler sempre o comentário de quem já estive com essa pessoa no perfil dela, assim se consegue uma base de como de como é a convivência e as experiências.

No site, cria-se um perfil que permite tanto oferecer uma casa para outras pessoas se acomodarem, como procurar um lugar para ficar enquanto viaja. No perfil são colocados todos aqueles detalhes mais importantes sobre o indivíduo, porque só dessa maneira as pessoas que se relacionam, sejam como hóspedes ou anfitriões, saberão se os seus perfis se encaixam.

Antes de oferecer uma casa,  é importante colocar localização, regras básicas  e onde a pessoa vai ficar. Por exemplo, ela pode dormir no sofá ou ter um quarto só para ela, quantos hóspedes é possível acomodar e o número de dias que o local estará disponível. Quem procura um lugar para ficar precisa, antes de se candidatar, informar quando estará e por quanto tempo permanecerá na região. Além disso, é pré-requisito dizer quantos viajantes compõem o grupo.

Vale ainda ressaltar que, apesar de ser procurado por pessoas que querem viajar gastando o mínimo possível, o CouchSurfing é mais que isso. A ideia principal é promover um ganho cultural de ambas as partes. Enquanto quem se hospeda pode receber dicas de que lugar e como visitá-los por um morador, o anfitrião conhece pessoas de outros locais e aprende com elas. Então não é unicamente chegar na casa de alguém e dormir gratuitamente por algumas noites, é conversar e trocar experiências.

Outra forma de viajar pelo Brasil economizando é através da Identidade Jovem, ou ID Jovem, como é conhecido. É um programa do Governo Federal, em conjunto com a Secretária Nacional da Juventude, que visa garantir ao jovem brasileiro de baixa renda alguns benefícios. Entre eles, está o direito de viajar de ônibus, trens e embarcações interestaduais de maneira gratuita ou pagando metade do valor.

O programa é destinado a jovens entre 15 e 29 anos, que possuem renda familiar de até dois salários mínimos e possuem o Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). O CadÚnico é feito no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de cada cidade e é necessário levar documentos de toda a família. Depois de aprovado o cadastro gera um número de 11 algarismos, conhecido como NIS, que será utilizado para fazer o IDJovem.

Após feita a identidade, o jovem consegue desconto de 50% em entradas de eventos artístico-culturais e esportivos. Além disso, em cada ônibus, trem ou embarcações de viagem interestadual são disponibilizadas 4 passagens com desconto para quem possui o ID. Duas são gratuitas, nas quais o passageiro paga apenas a taxa de embarque, e outras duas nas quais se paga 50% do valor da passagem convencional quando as primeiras se esgotam.

Uma mistura de trabalho voluntário com turismo, o termo pode parecer meio estranho à primeira vista. Mas desde que o volunturismo surgiu, conquistou milhares de mochileiros que querem viajar ao redor do mundo gastando pouco. O projeto visa que voluntários troquem suas habilidades em troca de alojamento e outros benefícios que variam de empresa para empresa.

Empresas costumam oferecer abrigo, de uma a três refeições por dia e algumas, um valor que auxilie a manutenção. Outros gastos como os pessoais (higiene, roupa, farmácia, lazer) e passagens são bancados pelo voluntário. Por isso, o ideal é que se tenha uma renda fora do volunturismo, assim consegue-se manter seus gastos extras e sem passar por nenhuma dificuldade.

O trabalho costuma durar entre 2 semanas e 3 meses. No entanto, tudo depende da empresa e do país, pois o visto de quem faz volunturismo é de turista. Antes de se candidatar a uma vaga, é bom verificar se o tempo que dura esse tipo de visto e o período mínimo que a empresa exige são condizentes. É vital que o indivíduo não se torne ilegal. Além disso, é importante ver qual é o tempo máximo que a empresa fica com seus voluntários. Há o risco do volunturista ir esperando ficar, por exemplo, por dois meses, mas a empresa ficar com alguém por no máximo um mês.

Como os empregadores sabem que quem viaja de volunturista pretende conhecer o local, os horários costumam ser mais flexíveis que trabalhos convencionais.

Quanto a quem pode se candidatar, não há muitos pré-requisitos. O importante é apenas que o perfil das pessoas seja compatível com o cargo oferecido.

2600 vagas ofertadas em 2014, salários que podiam chegar a R$ 5000,00 dependendo do cargo e da empresa, tudo incluso à bordo (passagem, hospedagem, refeições e a oportunidade de conhecer pessoas e países diferente). O Trabalho em Navio possui diversos benefícios para aqueles que querem viajar e economizar, mas não é só flores. Gasto com exames médicos, vacinas e treinamentos, enjoos quando o mar estiver turbulento, intensas horas de trabalho e a distância da família. Além disso, é necessário atender alguns requisitos básicos, como falar outro idioma.

Para quem tem interesse nesse tipo de trabalho Driély Mayresse, blogueira e youtuber, alerta: “Tem os lados bons e ruins, cabe a cada um colocar na balança e ver o que é melhor, por que não é fácil e se trabalha muito.”

Os contratos costumam durar entre 3 e 9 meses, com um intervalo de 2 a 4 meses  entre eles e a jornada de trabalho pode chegar a 14 horas. No horário vago, é permitido sair do navio e explorar o país no qual ele está atracado para conhecer lugares e culturas diferentes. Apesar de ser necessário um gasto inicial diferente de outras formas de se viajar, ele pode ser compensado com o tempo, pois há empresas que reembolsam seus funcionários dependendo do período que permanecem trabalhando.

O trabalho em navios parece pesado e o pouco tempo que se tem vago não é suficiente para explorar outros lugares. Além disso, o cansaço físico e emocional pode não valer a pena.

Talvez o menos conhecido de todos os programas citados, o BlaBlaCar é um método interessante para quem quer viajar economizando nas passagens, que costumam ser um dos maiores gastos dos mochileiros. Fundado em 2006 pelo francês Frédéric Mazzella, o serviço pode ser acessado tanto pela web quanto por aplicativo de celular e tem o intuito de conectar motoristas que estejam dispostos a ceder lugares vagos em seu carro para passageiros dispostos a dividir os custos.

Assim como o CouchSurfing, pode parecer uma coisa meio suspeita para quem não conhece. Mas o sistema conta com verificação de toda documentação do carro e do motorista. O BlaBlaCar já conta com milhões de usuários e está presente em mais de 20 países. As caronas podem ser encontradas em viagens intermunicipais, interestaduais e até internacionais. O preço costuma ser calculado pelo próprio serviço, mas o motorista e o viajante podem entrar em um consenso achando um valor que seja satisfatório para os dois.

Apesar de se escolher o motorista, não se pode escolher as outras pessoas que estarão nesse caro. Isso pode causar transtornos caso os demais passageiros sejam pessoas desagradáveis. Esse é um dos principais pontos negativos do programa.

Acomodação é a principal preocupação de boa parte dos viajantes e a hospedagem é onde se costuma gastar mais em viagens. Decorrente disso, quem tem o desejo de viajar gastando realmente pouco tem a opção de ficar em hostels ou, em português, albergues.

Esses são lugares que recebem várias pessoas de diversos locais do globo terrestre. Elas costumam dividir dormitório, cozinha, banheiro e lavanderia. Apesar de não possuírem a privacidade de um hotel, os hostels são bem mais econômicos e menos formais. Além disso, a troca cultural é riquíssima, afinal se tem pessoas completamente diferentes, tanto em nacionalidade, quanto em personalidade.

Vale lembrar que nem todos os hostels são iguais. Alguns possuem banheiros e quartos individuais, em outros esses ambientes são compartilhados. Há aqueles que se assemelham com hotéis e possuem um grau de sofisticação, conforto e privacidade a mais. Cada pessoa decide qual é o melhor de acordo com sua condição financeira e suas expectativas para a viagem. Aqueles nos quais convive-se com mais gente proporciona uma troca maior, já nos outros pode-se sentir mais à vontade.

“Esteja aberto a se conhecer”

Muitos brasileiros e brasileiras já estão aderindo aos métodos anteriormente citados e saindo de suas cidades para conhecer outros lugares. Uma dessas pessoas é Guilherme Pintto, um jovem catarinense que sentia a necessidade de se descobrir e encontrar qual carreira seguir. Por isso conversou com alguns mochileiros, fez uma pequena rota de cidades e foi conhecer alguns estados brasileiros. Pegando carona, viajando de ônibus e ficando em hostels, Guilherme conseguiu conhecer São Paulo, Rio de Janeiro,  Pernambuco e Alagoas com apenas R$ 975,00. Hoje, em seu canal no YouTube, dá dicas de como fazer o mesmo.

Guilherme conta que não fez planejamento quase nenhum, por isso perdeu a chance de conseguir promoções e a oportunidade de conhecer lugares ao redor dos quais estava hospedado. Ele aconselha a quem pretende fazer um mochilão que se prepare para isso com antecedência. Assim é possível economizar, fazer uma rota de cidades e pontos turísticos interessantes. Para o catarinense, separar uma margem de gastos para acomodação, transportes, alimentação e um dinheiro extra para possíveis problemas, diminui a chance de ter frustrações  e aproveita-se melhor o lugar que vai conhecer.

Guilherme Pintto, youtuber de viagens (Imagem: Reproduçã0)

Ele foi um dos primeiros utilizar e divulgar o ID Jovem em seu canal. “Uma vez, por problemas no sistema, a agência não quis me fornecer a passagem. Tive que armar um barraco e, depois de muita briga, consegui”. Ele conta que em algumas empresas o tratamento costuma ser mais hostil quando a passagem vai ser tirada pelo ID Jovem, mas em grande parte as coisas costumam ser bem tranquilas. Pensando em ajudar outros que não possuem condições de viajar o catarinense fez um vídeo que alcançou milhares de jovens e os ajudou a viajar pelo país.

Mais maduro, a forma como faz seus mochilões mudou, segundo ele. Reconhece que hoje teria planejado melhor seu primeiro mochilão caso pudesse voltar no tempo. Antes, por dificuldades financeiras comia menos. Atualmente, é com o que ele mais gasta em suas viagens, comida, pois faz questão de se alimentar bem. Outra coisa que mudou foi sua forma de hospedagem: o jovem que já se hospedou como couchsurf e em vários hostels atualmente prefere a privacidade de hotéis.

“Minhas experiências com o CouchSurfing foram todas positivas. É um ganho de percepção gigante, tu comparas a rotina de pessoas que, muitas vezes, são muito diferentes de ti. Abre muito a cabeça”, diz Guilherme.

Por último, ele lembra a quem está planejando um mochilão: leve sempre um casaquinho  e esteja aberto a se conhecer.

“Se joga, depois você sempre dará um jeito”

Com 29 anos e vários países carimbados no passaporte, Marcos Vaz criou um blog e um canal no YouTube, ambos denominados Vaz Aonde, para compartilhar suas experiências e dicas de viagem com milhares de pessoas. O jovem tem uma grande experiência com mochilões, principalmente, naqueles em que não se gasta muito.

Começou a procurar esse estilo de viagem por ter duas opções: ou gastava pouco e conhecia mais lugares, ou gastava mais e conhecia menos. Como um mochileiro nato, não pensou duas vezes e começou a testar formas de alternativas economizar .

Conheceu os hostels em 2010, quando foi fazer seu intercâmbio na Austrália e viu neles uma forma de conter gastos. Logo se apaixonou por esse tipo de hospedagem, não só pelo baixo valor, mas também pela troca cultural. Dois anos após conhecer o hostel, ele soube da opção de trabalhar como voluntário nesses locais. Na época, não existia nenhum site especializado nesse tipo de trabalho. “Você ao chegar no hostel dizia que queria ficar por um tempo, mas não conseguiria pagar pela estadia e perguntava se poderia ficar como voluntário” relata ele.

“Não tive experiências negativas, que eu me lembre. Se tive, fez parte da viagem”, conta Marcos. Ele também diz que não se arrepende de nenhuma de suas viagens, pois acredita que todas servem como aprendizado, até as ruins. “Tudo é questão das expectativas que você cria. Às vezes elas podem ser frustradas, mas não é culpa do local. Você que esperava muito de algum lugar”, diz.

Dono do canal Vaz Aonde, Marcos tem muitas experiências com mochilões (Imagem: Reprodução)

Ele acredita que o volunturismo é mais que uma forma de economizar, é, além de tudo, uma forma de conhecer culturas novas. “O aprendizado maior, geralmente, não é sobre o lugar onde o hostel está localizado, pois raramente há nativos lá, mas sim sobre as pessoas de diferentes lugares que estão vivendo no mesmo espaço que você, por mais curto que seja o período.”

A quem pretende fazer um mochilão, em especial àqueles que planejam se acomodar em hostels, Marcos aconselha ouvir sempre e, como em qualquer outro lugar do mundo, não impor seu estilo de vida aos demais que ali estão. Além disso, carregar sempre um kit básico de cuidados pessoais e um pijama, pois a privacidade não é a mesma de um hotel.

“Por último, o dinheiro não é o principal motivo para não se viajar, o principal é o medo. Primeiro você se joga e depois dá um jeito, e você sempre vai dar um jeito”, afirma Marcos.

“Muita gente acha que é só economizar, mas é muito mais”

Em 2013, a convite de dois amigos, Ângela Sant Anna, ou Angie, saiu em seu primeiro mochilão. O convite surgiu enquanto estavam um tempo sem trabalhar na Nova Zelândia. Os três tinham 50 dias para viajar e decidiram conhecer seis países nesse tempo. Cada um ficou responsável por dois países e, sem planejamento quase nenhum, conheceram diversos novos lugares.

Na época, viajaram de ônibus e com poucas informações, pois eram raras as pessoas que escreviam em blogs sobre o tema – principalmente, em português. Essa falta de informações fez com que eles não conseguissem ir para alguns lugares devido ao alagamento de certas partes da estrada. Apesar do pouco preparo antes de viajar, tinham estipulado um valor e trabalhado em cima dele, então não passaram por dificuldades financeiras. Angie foi se apaixonando pelo ato de conhecer vários países de uma vez, e agora possui um blog e um canal no YouTube chamados Apure Guria, nos quais compartilha suas experiências e dicas de viagem.

Ela procura sempre viajar de ônibus de uma cidade para o outra, por ser mais barato. Mas quando compra passagens de avião, costuma se programar com cerca de 3 meses de antecedência, procurando sempre promoções.

“Eu já viajei como couchsurf, mas hoje o aplicativo oferece menos acomodações, pois os anfitriões estão migrando para o Airbnb e cobrando para receberem turistas em suas casas”, relata a blogueira. As acomodações que restam têm grande procura, então ela aconselha não mandar mensagens muito antes, pois nem todos conseguem dar certeza sobre um futuro distante. Ela adiciona: “Não mande mensagem muito em cima da hora pois podem demorar a responder.”

Em todos os programas há riscos, segundo ela. Apesar de, em tese, o hostel apresentar mais segurança por hospedar mais pessoas e possuir vigilância em caso de roubos, não há garantias. Por isso, a leitura do perfil e recomendações não é importante só para os couchsurfers, mas também para quem pretende ir para hostel. “Além disso, muita gente vai acreditando que é só sobre economizar, quando na verdade também é conversar, não é chegar no local, dormir e sair, é necessário interação”, diz Angie.

Suas dicas podem ajudar aqueles que estão organizando mochilões. A primeira é se organizar: ler blogs, assistir vídeos e procurar se informar o máximo possível. Depois, recomenda carregar uma doleira para guardar dinheiro, cartão e documentos, além de, como o Guilherme, levar um casaquinho. Aqueles que gostam de experimentar comida local precisam separar uma certa quantia para isso. “E por fim, todo mundo pode viajar, seja com pouco ou muito dinheiro, basta se organizar e economizar em pequenos detalhes, como não comprar o que não precisa em supermercados”, garante.

“O mundo é grande para ficarmos parados em um só lugar”

Amante de viagens, Driély Mayresse conta com uma vasta experiência nas mais variadas formas de se viajar economizando e compartilha suas histórias em seu blog pessoal Quero ser nômade. Ela já foi tripulante de navio, couchsurf, volunturista e intercambista.

Com avós que sempre gostaram de viajar e pais não muito diferentes, Driély tinha a quem puxar. Com 16 anos, fez seu primeiro intercâmbio para os Estados Unidos, custeado pelo seu pai. “Depois do primeiro, vi inúmeras outras possibilidades, outros tantos lugares a serem conhecidos. Por que ficar parada em um só lugar com tantos outros bonitos a serem explorados?”, diz.

Driély é amante de viagens desde a adolescência (Imagem: Reprodução)

Com uma vontade imensa de conhecer outros locais e um pai que já não queria mais bancar suas viagens, procurou outra forma de viajar. Foi assim que fez seus trabalhos em navio. Não se manteve por muito tempo nas empresas (na última permaneceu por apenas dois meses) porque não gostou da experiência. Apesar ter visitado boa parte da Europa, ela relata que esse estilo de vida não combina com sua personalidade. “É tudo muito frenético e você possui pouco tempo para visitar os lugares. Mas isso varia de pessoa para pessoa. Por exemplo, tenho amigos que começaram e não pararam mais”, lembra ela.

Logo em seguida, foi indicada para um volunturismo na Bahia. Conseguiu não só acomodação e alimentação, que é o mais comum, mas também um valor para ajudar em sua manutenção. Ela conta ainda que, apesar de ter passado pouco tempo lá, foi uma experiência enriquecedora. Sua jornada de trabalho era tranquila e dava para conhecer o local.

Depois da Bahia ela seguiu seu mochilão pelo Nordeste, se hospedando como couchsurf em Aracajú (SE). De lá, surgiu uma oportunidade fazer intercâmbio para a Itália com uma parada em Amsterdã, onde acabou se instalando em uma casa sem antes procurar muitas referências. Ao chegar lá, teve uma experiência negativa, por isso saiu no dia seguinte para se hospedar com outro anfitrião, que foi completamente diferente. Ela aconselha sempre se informar antes de se hospedar na casa de alguém. “A troca cultural é ótima, já fiquei na casa de gente muito rica, de gente muito pobre, de várias culturas e todos foram muito legais e me trataram bem”, afirma ela.

“Como tudo na vida, tem seus dois lados”

“Quando comecei a namorar um paulista, tentávamos nos ver de 15 em 15 dias, mas devido ao valor da passagem de ônibus, em dois meses estávamos sem recurso. Foi aí que uma amiga minha me falou do aplicativo.” Assim, Mariane Souza começou a usar o BláBláCar.

No início, Mariane ficou com um pouco de medo, confessa, pois pegar carona com quem não se conhece por muitas vezes pode representar um risco. Mas, pela necessidade, ela se jogou, e deu certo. Conta que a grande maioria de suas viagens foi tranquila. Nunca sofreu assédio ou algo parecido, e mantém amizade com várias das pessoas que conheceu pelo aplicativo.

Passou por uma situação inconveniente apenas uma vez. Um homem com quem ela já havia viajado ofereceu mais vagas do que seu carro possuía. Disse que ela era a passageira a mais e teria que descer do carro. Isso gerou um transtorno enorme, pois Mariane estava longe de casa e teria que atravessar a cidade. Apesar disso, ela é muito feliz com  o aplicativo e diz que a economia com esse tipo de viagem é grande.

Deixar a coragem assumir

Navegar é preciso. Seja para sair da rotina, se redescobrir, conhecer pessoas e culturas diferentes ou trabalhar. Seja com muito ou pouco dinheiro. Seja por pouco ou por muito tempo. Seja com uma mochila ou várias malas. Não se deve deixar de viajar por falta de grana, em especial, se esse for um sonho. Nada é impossível, arriscar pode gerar boas surpresas, basta deixar o medo de lado e deixar a coragem assumir que maravilhas podem acontecer. Os objetivos, a forma como a viajem vai ser feita, os motivos, os destinos e as experiências podem ser completamente diferentes de pessoa para pessoa, mas todos podem (e, cá entre nós, devem) se aventurar pelo mundo.

J.Press
A Agência J.Press de Reportagens é um espaço destinado à publicação e divulgação de matérias com abordagens inovadoras. Vinculada à empresa Jornalismo Júnior, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), a agência busca novas formas de explorar assuntos de interesse público por meio do jornalismo.

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