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Especial Copa das Confederações: história, dados e curiosidades

Tudo o que você precisa saber sobre o evento sediado no Brasil que acompanha promessa de desenvolvimentos em infraestrutura, segurança e turismo

Por Carolina Shimoda (carol.shimodab@gmail.com) e Juliana Meres (juliana.meres@gmail.com)

Nascimento e história do torneio

A Copa das Confederações é um torneio de futebol que acontece desde 1992 envolvendo seleções nacionais. A primeira edição, sediada na Arábia Saudita, era chamada Copa Rei Fahd, em homenagem ao monarca homônimo, e contava com apenas quatro seleções. A partir de 1997, terceira edição do torneio, a FIFA assumiu o comando, nomeando-o Copa das Confederações e mudando o número de participantes para oito, sendo seis países campeões continentais, além do país-sede e do campeão mundial. Pela primeira vez, em 1999, o torneio saiu da Arábia Saudita e aconteceu no México, que venceu o Brasil e foi campeão naquele ano.

Até 2001, acontecia de dois em dois anos, e, a partir desse ano, passou a ser considerada uma prévia da Copa do Mundo (é uma oportunidade para ajustar os preparativos e a organização), acontecendo a cada quatro anos e tendo o mesmo país anfitrião.

Sede no Brasil em 2013

Pela primeira vez no Brasil, a Copa das Confederações acontecerá entre os dias 15 e 30 de junho, com jogos em Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Salvador. Além de ser inédita a existência de seis cidades-sede, essa 7ª edição conta com a participação do Taiti, que disputa um torneio internacional fora da Oceania pela primeira vez. As outras equipes participantes serão quatro campeãs mundiais – Brasil, Espanha, Itália e Uruguai – além de México, Japão e Nigéria.

(Cafu no lançamento da bola oficial em dezembro de 2012 - Imagem: Getty Images)

As quatro equipes participantes que já foram campeãs mundiais somam juntas 12 títulos das 19 edições da Copa do Mundo FIFA já realizadas: Brasil (1958, 1962, 1970, 1994, 2002), Espanha (2010), Itália (1934, 1938, 1982, 2006) e Uruguai (1930, 1950). É a 7ª participação consecutiva do Brasil no torneio.

A bola oficial da competição, fabricada pela Adidas, foi chamada de “Cafusa”, em uma referência às pessoas nascidas da miscigenação entre índios e negros, além de ser uma junção das palavras “carnaval”, “futebol” e “samba”.

Sediando essa edição, o Brasil tem a chance de repetir os feitos de México e França, seleções que foram campeãs jogando em casa, em 1999 e 2003, respectivamente.

Venda de ingressos da edição brasileira

A FIFA organizou a venda de ingressos do torneio deste ano em quatro fases diferentes, distribuídas ao longo de oito meses. A primeira, apenas para clientes Visa, foi de 21 a 30 de novembro de 2012 e restrita aos ingressos dos setores 1 (mais caro), 2 e 3 (valores intermediários). A partir de 3 de dezembro de 2012, dois dias após o sorteio dos grupos da competição, todos os setores entraram à venda pelo site da FIFA, inclusive a Categoria 4 (exclusiva para residentes no Brasil, com valores mais acessíveis e possibilidade de meia-entrada para idosos e estudantes). Essa segunda etapa foi até o dia 15 de janeiro de 2013.

A terceira fase de compras começou no dia 15 de fevereiro de 2013 e foi até 7 de abril. A última oportunidade de comprar os ingressos vai do dia 15 de abril ao dia 30 de junho e os interessados poderão adquirir os bilhetes por ordem de chegada. Para essa quarta etapa, contudo, os ingressos dos jogos de abertura e encerramento e das partidas do Brasil na fase de grupos não estão disponíveis. Nessa última fase, além da venda pela internet, há a opção de comprar em centros de ingressos organizados pela FIFA em cada cidade-sede.

No dia 11 de junho, porém, a FIFA iniciou uma venda limitada de ingressos, apenas em seu site, para as partidas de abertura e encerramento, além dos jogos do Brasil contra México e Itália. A escolha de disponibilizá-los apenas na internet foi justificada pelo diretor de marketing da FIFA, Thierry Well, assumindo que havia grandes chances de as pessoas irem aos centros de vendas da FIFA e não conseguirem as entradas. “A decisão de não vendê-los nas bilheterias foi tomada para evitar que as pessoas se deslocassem até um Centro de Distribuição de Ingressos da FIFA sem ter a menor chance de adquirir um desses ingressos”, explicou ele em matéria no site oficial da federação, acrescentando ainda que a venda pelo site garantia um acesso justo e igualitário às partidas mais procuradas. Os ingressos recolocados à venda no último dia 11 haviam sido devolvidos pelas seleções e por outros usuários do site.

Para portadores de deficiências, além do benefício da meia-entrada, a FIFA disponibilizou 1% dos ingressos da categoria 3 (preço intermediário) e o direito de escolher um acompanhante com prioridade na compra. Os preços variam de R$28,50 (meia-entrada na fase de grupos) a R$418 (inteira do ingresso mais caro na final).

Dos 826 mil ingressos que foram colocados à venda, mais de 640 mil já foram vendidos (pouco mais de 76%), sendo que cerca de 97% foram comprados por brasileiros. A FIFA pretende superar os números de 2005, quando o evento foi realizado na Alemanha e teve 83% dos ingressos vendidos.

No balanço sobre a venda de ingressos divulgado pela FIFA no dia 6 de junho, os números mostraram que 73,6% das entradas foram compradas pelo público local (residentes do Estado da cidade-sede); 23,5%, por brasileiros de outros Estados; e 2,9%, por torcedores que moram em outros países.

Em entrevista coletiva no Rio de Janeiro, encerrando sua visita ao país para vistoria dos preparativos tanto para a Copa das Confederações, quanto para a Copa do Mundo, Jérôme Valcke, secretário-geral da FIFA afirmou que “a resposta do torcedor brasileiro à Copa das Confederações é única, é um dos maiores sucessos das edições já organizadas até hoje”.

Compra de ingressos pelo governo causa polêmica em Brasília

Em fevereiro desse ano, o governo do Distrito Federal (GDF) gastou R$1,5 milhão na compra de mil ingressos VIP e um camarote fechado para a partida inaugural entre Brasil e Japão, que acontecerá no Estádio Nacional de Brasília. A grande quantidade comprada e falta de informações sobre quem seriam as pessoas agraciadas com as entradas geraram inquietação na mídia e fizeram com que a Terracap, estatal do governo do DF que paga e é dona do estádio, divulgasse uma errata esclarecendo a situação.

 

(Estádio Nacional de Brasília no jogo-teste entre Santos e Flamengo - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Em nota do dia 18 de fevereiro de 2013, a empresa disse que estabelece uma política de atração de investimentos para a cidade, assim como agencia o desenvolvimento econômico e social do DF. Com a compra dos ingressos, ela estaria fomentando as relações institucionais e aplicando esse programa de desenvolvimento. Além disso, ressaltou que essa partida é muito representativa, por ser inaugural, e o GDF, simbolizando a capital do país, terá um papel muito relevante por meio da Terracap, grande investidora no estádio. Para garantir essa representatividade, a cidade-sede adquiriu os ingressos, uma vez que a FIFA, única e total responsável pela operação e administração da arena, não reservou ingressos aos governos locais.

Infraestrutura das cidades-sede: Apesar de atrasos, estádios estão prontos para receber os jogos

Somente dois estádios foram entregues no prazo estipulado primeiramente, sendo eles o Mineirão (Belo Horizonte) e o Castelão (Fortaleza), reinaugurados em dezembro de 2012. Essas duas obras tiveram suas reaberturas marcadas por presenças artísticas, além da presidenta Dilma Rousseff. O estádio mineiro recebeu a banda Jota Quest para comemorar o término das obras, enquanto o Castelão teve um show do cantor Fagner.

(Dilma dando o ponta pé inicial na Arena Castelão - Foto: Futura Press)

Apesar do clima de festa, o estádio cearense sofreu um dos seus primeiros prejuízos, já que uma cadeira foi quebrada quando torcedores entraram em uma área fechada da arquibancada para o dia do show. Mesmo assim, a presidenta mostrou-se orgulhosa da obra e chegou a compará-la a estádios londrinos. “Recentemente estive em Londres, em um estádio, e quero dizer que o Castelão, em todos os sentidos, mostra que somos capazes de ganhar no campo e fora do campo. O Castelão mostra que o brasileiro é capaz de superar obstáculos e entregar uma obra desse tipo”, disse Dilma na inauguração da arena.

O terceiro estádio a ser inaugurado oficialmente foi a Arena Fonte Nova, em Salvador, em abril de 2013, um mês antes da entrega de outros dois estádios, Estádio Nacional de Brasília e Arena Pernambuco (ambos receberam uma partida inaugural em maio deste ano).
O Maracanã, último estádio a ficar pronto, teve sua data de entrega adiada três vezes. Segundo a assessoria de imprensa da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop) disse à BBC Brasil, “é natural que o prazo tenha sido modificado porque se trata de um estádio construído na década de 40, além de outras intempéries, como a greve que paralisou as obras”.

Para sua inauguração, o estádio carioca comportou o amistoso entre Brasil e Inglaterra como cerimônia de reabertura, mas, um dia depois, já havia voltado com as obras do lado de fora, com operários completando os reparos para a Copa das Confederações. Em relação a esse jogo e ao teste do estádio, os portadores de deficiências sentiram dificuldades na retirada dos ingressos, e muitos torcedores reclamaram da grande quantidade de poeira e da displicência com a demarcação dos lugares. Apesar disso, o balanço dado pelo diretor geral do Comitê Organizador Local, Ricardo Trade em coletiva após o amistoso, foi positivo. Os torcedores elogiaram a rapidez de acesso e a orientação tanto do lado externo quanto do lado de dentro do estádio.

 

(Reabertura do Maracanã, no amistoso entre Brasil e Inglaterra - Foto: Ivan Pacheco)

O primeiro jogo que ocorrerá no Maracanã está marcado para o dia 16 de junho e será uma partida entre Itália e México. A seleção brasileira só jogará nesse campo caso chegue à final da competição.

Possibilidade de crescimento do turismo brasileiro

Tratada como uma prévia da Copa do Mundo, a Copa das Confederações também atrai milhões de turistas e a infraestrutura para suportá-los em ambos os eventos sempre foi um dos pontos de maior crítica ao Brasil. “Serão investidos R$ 33 bilhões, sendo R$ 1,9 bilhão somente na variável ‘hotelaria’. No que diz respeito ao ‘turismo’, os meses de junho e julho devem movimentar R$ 9,4 bilhões a partir de 600 mil turistas estrangeiros e 5,5 milhões de turistas nacionais”, analisa Ricardo Uvinha, professor e pesquisador da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo (USP). Uvinha possui uma perspectiva otimista, acreditando que o Brasil esteja preparado para o evento.

(Trânsito para chegar ao Mineirão no amistoso entre Brasil e Chile em 24/04/2013 - João Miranda/UOL)

Ainda assim, reconhece que o país tem questões pendentes, como é o caso do transporte. “Mesmo considerando que a cidade de Belo Horizonte, por exemplo, contará com o Bus Rapid Transit (BRT: “trânsito rápido de autocarros/ônibus”, modelo de transporte coletivo de média capacidade) e o Antônio Carlos/Pedro I-MG, um corredor de 16 km e 25 estações ligando o aeroporto de Confins ao Mineirão, vimos recentemente que o deslocamento para o estádio [Mineirão] foi um enorme problema em seu primeiro grande teste”, afirma Uvinha. Nesse dia, além do grande fluxo de automóveis por causa do jogo entre Brasil e Chile, as ruas de Belo Horizonte ainda contaram com uma manifestação de professores da rede estadual de educação, o que piorou ainda mais o trânsito anos arredores do estádio.

Depois desse episódio, o estádio adotou um esquema especial de trânsito para suportar o público que vinha para o clássico entre Atlético – MG e Cruzeiro pela final do Campeonato Mineiro, no dia 19 de maio. Antes disso, em 4 de maio, o Mineirão sediou o show de Paul McCartney, com a presença de mais de 50 mil pessoas. Apesar de já haver uma organização para conter o trânsito à ocasião, os meios de transporte públicos para ir ao evento foram limitados, gerando empecilhos para os turistas e residentes locais.

Além do transporte, outro setor de grande importância é a segurança. O Governo Federal reconheceu a necessidade de intensificar a segurança do país para os eventos esportivos que ocorrerão e publicou uma resolução especificando investimentos que serão feitos para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. De acordo com a resolução, ações de segurança pública receberam R$230 milhões, envolvendo aquisição de equipamentos e sistemas de segurança, capacitação, campanhas, treinamentos, simulações, fiscalização do efetivo das instituições de segurança, entre outros.

Para Uvinha, diante da atenção voltada para esses investimentos, espera-se que eles surtam real efeito tanto para a segurança dos turistas quanto para a dos moradores locais. “Em Brasília, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar realizou no início de maio um treinamento de resgate de reféns que contou com a participação de 40 homens do Grupo de Intervenção Tática da corporação como parte das preparações para a Copa das Confederações 2013 e a Copa 2014”, destaca o professor e pesquisador da EACH.

Segundo Uvinha, a estrutura preparada para a Copa das Confederações vai oferecer uma preparação muito grande para a performance do Brasil na Copa do Mundo, testando setores como mobilidade urbana, sinalização turística e segurança. Além disso, há de se reconhecer que os programas de desenvolvimento dos segmentos de hotelaria e turismo vêm sendo bem-sucedidos e tendem a deixar um grande legado no país para futuros megaeventos. Ele aponta, ainda, que é de se esperar que as cidades-sede tenham um incremento significativo no turismo local e que isso contribua para o crescimento do setor no Brasil.

No geral, para o Brasil, o evento é uma excelente oportunidade de mostrar o país ao mundo todo, dando maior visibilidade internacional à nação que sediará tanto a próxima Copa do Mundo quanto os próximos Jogos Olímpicos. Aproximadamente cinco mil membros da imprensa cobrirão o torneio, com jornalistas vindos de 63 países, além do Brasil.

Mas, para esses futuros eventos de 2014 e 2016, o professor ressalta que os brasileiros devem estar atentos aos gastos exorbitantes em infraestrutura, principalmente na construção de estádios subsidiados com verba pública. “Acresce-se a tal fato o possível desrespeito às famílias sumariamente desalojadas de suas casas em prol do desenvolvimento imediatista das cidades-sede para atender aos anseios dos comitês organizadores locais”, emenda Uvinha.

Curiosidades sobre o torneio

Tendo o Brasil como anfitrião, a Copa das Confederações conclui seu ciclo pelo mundo. A competição já aconteceu quatro vezes na Ásia (1992, 1995 e 1997 na Arábia Saudita; e 2001 na Coreia do Sul e no Japão); duas na Europa (2005 na Alemanha e 2003 na França), uma na América do Norte (1999 no México) e uma na África (2009 na África do Sul).
Em nenhuma edição o país vencedor conseguiu conquistar a Copa do Mundo no ano seguinte. A seleção brasileira, por exemplo, sofreu dessa maldição nas três vezes em que foi campeã da Copa das Confederações, nos anos de 1998, 2006 e 2010.

A partir de 1997, a competição passou a contar com uma premiação de melhor jogador e apenas jogadores brasileiros e franceses levaram esse prêmio até agora. Os brasileiros foram Denílson (1997), Ronaldinho (1999), Adriano (2005) e Kaká (2009); enquanto os franceses foram representados por Robert Pires, em 2001, e Thierry Henry, em 2003.
Das oito edições do torneio, a Costa do Marfim é o único participante que não somou nenhum ponto. Essa seleção participou da primeira edição, em 1992, e acabou em último lugar. Já Canadá, Grécia e Iraque saíram da competição sem marcar um gol sequer. Elas participaram em 2001, 2005 e 2010, respectivamente.

Alguns destaques da história da Copa das Confederações

Maiores goleadas:
1999: Brasil 8 x 2 Arabia Saudita
1997: Brasil 6 x 0 Austrália (final)
1997: Rep. Tcheca 6 x 1 Emirados Árabes
1997: México 5 x 0 Arábia Saudita
2001: França 5 x 0 Coreia do Sul
2003: França 5 x 0 Nova Zelândia
2009: Espanha 5 x 0 Nova Zelândia

Maiores artilheiros:
9 gols – Ronaldinho Gaúcho (Brasil) e Blanco (México)
7 gols – Adriano (Brasil) e Romário (Brasil)
6 gols – Marzouk Al-Otaibi (Arábia Saudita)

Resultados das finais de cada edição:
1992: Argentina 3 x 1 Arábia Saudita
1995: Dinamarca 2 x 0 Argentina
1997: Brasil 6 x 0 Austrália
1999: México 4 x 3 Brasil
2001: França 1 x 0 Japão
2003: França 1 x 0 Camarões
2005: Brasil 4 x 1 Argentina
2009: Brasil 3 x 2 EUA

Países que mais jogaram e venceram na Copa das Confederações
1º Brasil
28 jogos – 18 vitórias

2° México
19 jogos – 8 vitórias

3° Estados Unidos
15 jogos – 6 vitórias

4° Austrália
13 jogos – 5 vitórias

5° Japão
13 jogos – 5 vitórias

*A França, é a seleção que apresenta o melhor desempenho: em dez jogos, foram nove vitórias e apenas uma derrota, tendo 90% de aproveitamento.

 

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