Saúde Sociedade

Chocolate, o protagonista da Páscoa

De vilão a mocinho das dietas, saiba mais sobre esse doce tão popular

Por Fernanda Maranha (fernanda.maranha@gmail.com) e Gabriela Malta (g.maltafelix@gmail.com)

A tradição dos ovos de Páscoa existe há mais de um milênio. No cristianismo, a data comemora a ressurreição de Jesus Cristo e ovo simboliza o nascimento, por isso era entregue como presente. Antigamente, os ovos entregues eram ovos de galinha, ocos, pintados com cores alegres. Mas a tradição mudou, e agora os ovos entregues na Páscoa são de chocolate. Nessa matéria, a JPress traz a história, as curiosidades e as dicas de saúde para todos os apaixonados pelo doce mais famoso da Páscoa.

Chocolate: a iguaria mais procurada na época da páscoa (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

A história

O cacau, principal ingrediente do chocolate, é cultivado desde as civilizações pré-colombianas na América Central. Foi neste período que nasceu o “xocoatl”, uma bebida do cacau, amarga e geralmente temperada com baunilha e pimenta. Acreditava-se que essa bebida combatia o cansaço.
Com a chegada dos europeus ao continente americano, o cacau ampliou suas fronteiras e chegou à Europa. No velho continente, a bebida foi misturada com especiarias para ficar mais adocicada, então se popularizou, principalmente a partir dos séculos XVII e XVIII e é querido até hoje. Os suíços, por exemplo, consomem 11kg de chocolate por ano, seguidos pelos os britânicos, que consomem 10kg. Os brasileiros vem bem abaixo, consumindo apenas 2kg anuais. Apesar de ingerir pouco, gasta-se muito: dados do IPC Maps 2013 mostram que brasileiros gastaram R$5,6 bilhões com chocolates ao longo do ano de 2012. Só no período da Páscoa os valores chegaram a quase R$2 bilhões.

A produção

Processo de produção do chocolate se mantém o mesmo por séculos (Foto: Wikimedia Commons)

O processo de produção do chocolate ainda se assemelha muito ao que era feito antigamente. A transformação do cacau em chocolate é feita em diversas fases: ainda longe da indústria, os plantadores de cacau deixam as sementes fermentando na polpa de três a seis dias, em recipientes especiais de madeira. Depois vem a fase de secagem, em que o teor de umidade dessas sementes fica reduzido a 5%. A produção, a partir daí, é feita na indústria. As sementes são peneiradas, torradas e trituradas e se reduzem a pó. Como esse pó ainda é considerado grosso, ele volta a ser moído. O resultado dessa etapa de produção é um líquido, conhecido como licor de cacau. O licor é então resfriado, e então se solidifica. Esse processo dá origem a duas substâncias, a manteiga e o pó de cacau. Para produção do chocolate, a manteiga é refinada, e as bolhas que acabam se formando nela são eliminadas. O doce está pronto!

Alimento amigo

Apesar da fama de vilão, pela grande quantidade de gorduras e açúcar que possui, o chocolate pode trazer muitos benefícios para a saúde: “ele é rico em triptofano, percursor de serotonina no cérebro, e este é um hormônio que causa uma sensação de prazer e bem-estar, além de ter ação antioxidante que impede a formação de mais radicais livres dentro do organismo”, afirma a nutricionista Giovana Mauro, em entrevista à JPress.
Giovana também acaba com um grande mito que cerca o doce: o chocolate não possui nenhuma substância que provoca o vício. O que acontece é que, por causar sensação de felicidade, muitas pessoas que são ansiosas, têm depressão, ou até mesmo mulheres com TPM, mostram sintomas depressivos na falta de chocolate, reflexo da queda da serotonina no cérebro.
Além disso, o doce proveniente do cacau pode até prevenir infartos, em especial o amargo: “ele é rico em flavonoides, que é um composto capaz de aumentar o óxido nítrico, que dilata as artérias e evita o processo de coagulação das plaquetas que poderiam obstruir os vasos sanguíneos”, diz Giovana.
Todas essas vantagens podem ser mascaradas se o consumo do chocolate for excessivo. Além do açúcar, trata-se de um alimento rico em gorduras. Esses elementos contribuem para o aumento de peso, que, segundo Giovana, tem influência no surgimento de diabetes, ou problemas de controle de colesterol.
Para solucionar estes problemas, e aproveitar os benefícios do chocolate a nutricionista recomenda a ingestão de 25 a 30g do chocolate amargo. Essa opção possui cerca de 70% de cacau – contém mais do fruto e menos conservantes – e passa por menos processos do que os “ao leite”, sendo, portanto, considerada a mais saudável.

Curiosidades

A JPress selecionou uma série de curiosidades que cercam o mundo do chocolate. Confira abaixo 5 das melhores histórias desse famoso doce.

1 – Que o chocolate é gostoso, todo mundo sabe, mas qual é o melhor? Cada um pode ter sua opinião, mas existe uma instituição britânica responsável por ceder prêmios de melhor chocolate em várias categorias, desde melhor barra de chocolate amargo até a melhor embalagem: a Academy of Chocolate premiou a marca italiana Amadei, em especial o Amadei no. 9, como melhor chocolate do mundo, pelo quarto ano consecutivo.

2 – Mesmo aparecendo na lista, nem todos consideram o chocolate branco chocolate. Ele é feito a partir da manteiga do cacau, separada das barras ainda no início da produção do chocolate “tradicional”.

3 – O chocolate mais caro do mundo não figura na lista da Academy of Chocolate. É o Madeline au Truffe, fabricado pelo exclusivo chocolateiro dinamarquês Fritz Knipschildt. Cada unidade de 40g custa 170 euros. O motivo de tudo isso? Exclusividade. Cada bombom é recheado com uma raríssima trufa perigord. O chocolate em volta é composto de 70% de cacau Valrhona, misturado num ganache com óleo de trufa, baunilha e açúcar. Além disso, cada unidade é enrolada à mão e polvilhada com pó de cacau.

4- A Costa do Marfim é o país que detém a maior produção de cacau: 1.300.000 toneladas por ano, ou 32% da produção mundial.

5- Muito apreciado pelos humanos, o chocolate não deve ser compartilhado com os cachorros. Ele contém um composto chamado teobromina que pode ser tóxico para o sistema nervoso central e para os músculos cardíacos do cão.

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