Sociedade

São Paulo de Leste a Oeste

 

O que diferentes bairros da cidade têm em comum? Moradores contam suas visões sobre a metrópole.

Texto e Fotos por Cleyton Vilarino

cleyton.vilarino@gmail.com

“Hoje, uma coisa que você pode ficar certo, é ouvir as pessoas. As pessoas têm uma carência tão grande de expor aquilo que está magoando, que está guardado. Eu sempre digo ‘Gente, olha, se você quer mudar a sua vida, tire tudo o que está no coração’. No coração não pode ter raiva, rancor, nada! E esse dia-a-dia de São Paulo, se você não estiver preparado, você vira um bicho! Se você entra no ônibus, parecem uns cavalos. Aí você vai pra casa, o vizinho de cima faz barulho, o outro está com o som alto, o outro está brigando. Na rua tem acidente, e é ambulância que passa, polícia com a sirene… É que nem aqui: se você pegar cada uma dessas pessoas, fique olhando cinco minutos. O que passa? Cada ser desses tem um problema. Um está vindo de mala, você pensa que ele está viajando? Que nada! Está procurando lugar pra morar. Porque onde ele morava a pessoa era muito ruim e só pegou dinheiro e você não pode fazer nada, outro foi despejado.. olha! Você pode pôr o que você quiser na sua cabeça que você vai encontrar alguém com esse problema”

Adria Pasta, 66 anos. Moradora do Centro de São Paulo.

Itaquera

Maria do Carmo e Ana Neri moram em Itaquera há 40 anos. Chegaram quando o bairro ainda estava nascendo, sem asfalto. “Não tinha nada, só mato e chácaras” conta Ana. Ambas são mãe e filha. Maria do Carmo lembra que muitos a taxavam de louca por trocar de bairro. “Diziam que era loucura, que eu estava indo morar no meio do mato”, conta a moradora cuja a casa ainda mantém algumas características da época, como a água obtida em poço. Hoje o bairro é um dos maiores de São Paulo, com 1 milhão de habitantes e comércio local altamente desenvolvido. A família faz tudo na própria região. Tudo o que quiserem comprar tem ali por perto. “Esses dias minha filha foi até o Brás comprar roupa e foi assaltada. Levaram até a roupa do corpo”, explica a mãe de família que prefere o comércio local, ainda que a violência também esteja presente na região.

 

Itaquera é um dos maiores bairros de São Paulo, com mais de 1 milhão de habitantes.
Itaquera é um dos maiores bairros de São Paulo, com mais de 1 milhão de habitantes.

 

É essa violência que hoje traz a tristeza que paira sobre a casa de 11 cômodos e 4 moradores. O pai de Ana, Dr. José do Carmo, era advogado e contabilista e fora atropelado por uma moto que passava em alta velocidade. O motivo para tanta pressa seria descoberto logo depois: era um bandido que fugia após realizar um assalto. “Essa casa é mausoléu, tudo lembra meu pai”, conta. José do Carmo ganhava a vida como professor universitário e após o acidente passou 8 anos de cama. Ana lembra das dificuldades pelas quais passou junto com a sua mãe: “Gritava de dor. Era só eu e a minha mãe e a gente tinha, muitas vezes, que sair correndo com ele pro hospital”. Vaidosa, atribui estas dificuldades às rugas e a aparência cansada que insiste em empregar a si mesma. “Minha mãe tem 52 anos, vê se parece!? (…) Não dormia e não comia direito, cheguei a ficar cega dos dois olhos. Operei faz 1 ano”.

 

As moradoras atribuem a violência e decadência da região à chegada das Cohabs.
As moradoras atribuem a violência e decadência da região à chegada das Cohabs.

 

Por tudo isso a família pensa em se mudar da região. O antigo bairro pacato, com ruas de terra e grandes lotes de fazenda para vender, hoje é uma grande aglomerado de 1 milhão de habitantes. As moradoras atribuem a violência e decadência da região à chegada das Cohabs há 15 anos atrás. Projeto do antigo prefeito, Paulo Maluf, Ana conta que as Cohabs trouxeram a violência do centro da cidade para a periferia. “Junto com a Cohab o Maluf trouxe os maloqueiros que viviam no centro para morar na periferia!”, reclama. Enquanto Dona Maria do Carmo esboça uma incerteza sobre para onde ir com uma ponta de desejo de ir para a periferia, “Não sei, talvez mais para o interior ou mais pro centro. Estamos pensando ainda”, é interrompida por Ana: “Vamos pro Centro. Aqui não dá mais não. E tem mais: Meu filho está querendo começar a fazer faculdade, fica mais fácil”.

Das poucas coisas que sentirão saudades quando deixarem o bairro, está o Obra Social Dom Bosco. Localizada um quarteirão para trás, Ana Neri e Maria de Lourdes atribuem grande parte dos progressos na região ao Projeto. O local oferece cursos profissionalizantes, abrigo para crianças abandonadas, acompanhamento de jovens em liberdade assistida além de outras atividades. Para as moradoras, há um aspecto de maior destaque: “É tipo o Sesi. Sabe o Sesi que tem mais pro Centro? É igual, só que é tudo de graça”. De acordo com elas, um Padre, chamado Rosalvino Morán Viñayo, realizava obras sociais na região central de São Paulo. Percebendo que a maior parte dos atendidos eram originários de Itaquera, Pe Rosalvino pediu transferência para atender a região. “O padre falou com os amigos suíços dele e iniciou essa obra enorme”, explica Ana sobre o início da obra e da captação de recursos.

Ana só se recorda de ações de cunho político na região a partir de duas ou três eleições atrás (no máximo, ano 1998). Para ela presença destes políticos é boa e reflete o aumento de importância da região. Pergunto qual o tipo de serviço que sentem mais falta na região e a resposta é rápida: “Lazer e Cultura. Não tem um Teatro, um Cinema. O único que tem é no Shopping e acho que fechou”, conta. O principal lazer da região é Shopping Metrô Itaquera, inaugurado há dois anos e que fica a 3,4 Km da casa de Ana e Dona Maria. Cerca de 40 minutos a pé.

 

Moradores convivem com a violência e sentem falta de mais atividades culturais no local.
Moradores convivem com a violência e sentem falta de mais atividades culturais no local.

 

O problema da violência, que presente na conversa desde o início, para ela é resolvido muito bem pela autoridades, mas cultura ainda falta. Pergunto, então, quais ações governamentais ela tem visto nos últimos anos que melhoraram a situação na região. A resposta parece óbvia: “Desde que a obra Dom Bosco começou a região melhorou bastante. Além dos cursos oferecido, o Padre pediu pra colocar ronda escolar. Pelo menos aqui nos arredores sempre tem alguma viatura rondando, eles inclusive perguntam se está tudo bem dentro de casa” conta Ana com a confirmação da mãe.

A Obra Social Dom Bosco é uma inciativa não governamental que visa a promover o desenvolvimento, a melhoria da qualidade de vida e exercício da cidadania de famílias em situação de vulnerabilidade, exclusão ou risco social e pessoal. Conta com parcerias com o setor público e privado, mas sempre por inciativa da Dom Bosco. A intenção é fortalecer a região a partir do desenvolvimento social. Para isso, o projeto participa de atividades junto ao poder público, realizando importantes reivindicações para o bairro. Uma delas foi o Shopping, principal pólo de lazer no bairro. Com o passar dos anos, a Dom Bosco tornou-se uma referência em assistência social na região. Adriana Lima, assistente de coordenação do projeto, conta que os moradores da região procuram o local com frequência. “As pessoas vêm pedir cesta básica, remédio… Elas vêem que as coisas são resolvidas aqui e nos procuram”. Nas Subprefeituras da região há um órgão especializado neste tipo de atendimento. É o Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), mas poucos moradores a procuram. Quando o fazem, o CRAS procura a Obra Social Dom Bosco.

Lapa

Foram dois dias sondando o Sr. Salvador Falabella até que ele tivesse um intervalo para conversar sobre seu bairro. Sua indisponibilidade é a regra dos comerciantes do Mercadão da Lapa. O dia é corrido. A todo momento chegam novos clientes. Na primeira tentativa, foram 4 “nãos”, fora aqueles da clientela. Por incrível que pareça, a sensação é de que lapianos (adjetivo comum no Mercadão para se referir aos moradores da região) não consomem no Mercado. Salvador confirma esta sensação. De acordo com ele, a maioria dos consumidores são “moradores dos bairros”.

 

O Sr. Salvador Falabella, comerciante do mercadão da Lapa, está no bairro há 40 anos.
O Sr. Salvador Falabella, comerciante do mercadão da Lapa, está no bairro há 40 anos.

 

O senhor, de 88 anos, 40 deles na Lapa, se refere assim àqueles que não moram na Lapa, como se seu bairro fosse o mais importante. A pose é de um barão e, na fala, carrega consigo uma capacidade de síntese de dar inveja a qualquer jornalista. Salvador conta toda sua história em poucas palavras, sem entrar em detalhes. É um olho no gravador e outro no movimento da banca. Um dos poucos momentos que se empolga é quando fala de sua clientela. Proprietário de uma banca-tabacaria do local, Salvador conta que o clientela do mercado é diferenciada. “Ao contrário cliente do mercado, que ele mesmo tem pegar o produto, escolher carregar e ir embora, o cliente aqui do mercado gosta de conversar mais e saber sobre a mercadoria que está levando”, explica com um sorriso no rosto.

Salvador é natural de Bragança Paulista e chegou na Lapa já com a vida feita. A banca em que trabalha atualmente pertencia ao seu pai e ele apenas tocou o negócio , fixando-se na região. Sua vida pode ser dividida em duas fases, uma pré-Lapa, e outra pós Lapa, quando se fixara no bairro. Isso porque Salvador já tinha vivido bastante quando chegou no Mercadão, com direito a casamento e tudo. Na Lapa foi onde tudo recomeçou: emprego, amizades, casamento…

Sobre morar na Lapa, Salvador não vê motivos para reclamar. “Onde eu moro é um lugar bem tranquilo. Até hoje nunca vi assalto”, conta embora não seja o que aparenta para os consumidores da região. Uma senhora, ao ser abordada para um conversa no Mercadão, já se escondia, acuada, na banca da qual acabara de sair.

Para não dizer que não reclamou de nada, Salvador confessou sentir falta dos tempos áureos do Mercadão, quando o movimento era muito mais intenso. De 15 anos para cá, ele viu sua clientela cair drasticamente. Naquela época, o Mercadão da Lapa era o único abastecedor da região, mas com a chegada de grandes redes de supermercado na região, o movimento caiu muito e o jeito foi adaptar-se à nova demanda. O que ele e seus colegas fazem hoje é procurar preços mais atraentes junto aos fornecedores.

Centro

Extremamente participativa nas questões do seu bairro, dona Adria foi encontrada em frente a biblioteca Mário de Andrade dando instruções para um Policial sobre como proceder com os moradores de rua. De longe, este é o problema que mais aflige a ex-professora universitária, membra da Frente Parlamentar para a Situação do Morador de Rua.

 

Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo.
Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo.

 

De aparência serena, Dona Adria só se exalta quando fala das políticas adotadas para tratar dos moradores de rua. Dos seus 65 anos de vida, 20 foram morando na região. Ela conta que, no seu tempo, os moradores de rua eram recolhidos a força e hoje não podem ser tocados sem consentimento próprio. “Aí entrou os Direitos Humanos, essa porcaria de Direitos Humanos, e aí não se pode fazer mais nada sem o consentimento da pessoa. Aí ele pode matar, pode roubar, mas não pode ser encostado pelo policial porque não quer. É uma inversão de valores.”

Cansada de ver as coisas tomarem rumos com os quais discorda, Dona Adria participa ativamente de outras organizações sociais na região em que mora. Além da Frente Parlamentar, também é membra do Fórum do Centro e dá aulas de capacitação profissional para moradores de rua na área de “garçom e gastronomia”, como ela mesma define. Com formação em Hotelaria e Turismo, Dona Adria foi professora em diversas universidades e faculdades dentro e fora de São Paulo. “Infelizmente, de 30, você vai conseguir que cinco captem o que você ensinou. Mas pelo menos eu ajudo estas pessoas. Muitos voltam pra sua cidade, outros voltam para a família.”, explica ela, nascida em Curitiba e que já passou por diversas cidades, entre elas Salvador e Recife. Em cada uma delas afirma ter feito algo de bom, “um projeto, uma associação, uma secretaria…”. O ideal, para Adria, é conhecer por completo a cultura da região, “como vive o rico e como vive o pobre'”, ressalta.

Outro problema que incomoda Dona Adria é questão habitacional. “Só aqui onde nós estamos temos cento e poucos prédios, de 6 andares pra cima, desocupados”, reclama. São construções antigas, tomadas pela prefeitura e com contestações judiciais, a espera de algum destino. Com uma memória de dar inveja a qualquer adolescente, dona Adria cita nome de políticos e gestores que passaram pela região com uma facilidade espantosa. E é com essa facilidade que ela acusa Henrique Meirelles, atual presidente do Banco Central, de mandar demolir edifícios desocupados para oferecer à iniciativa privada durante sua presidência na Viva o Centro. “Ele achou que era melhor derrubar tudo e oferecer para alguma ONG, alguma organização, que quisesse construir uma coisa bonita no lugar. O que não é o caso. A gente tem tanto espaço que foi derrubado e nada feito no lugar.”, conta Dona Adria que também critica a medida tomada na demolição do Carandiru: “Tem muito espaço ali que não foi utilizado”.

 

Dona Adria, moradora da região do centro, conta que adora a vida cultural local.
Dona Adria, moradora da região do centro, conta que adora a vida cultural local.

 

Dentre as atividades que Dona Adria mais gosta de fazer está frequentar as atrações culturais na região. Próximo a sua casa, no raio de 1,5 Km, há no mínimo seis Teatros, quatro cinemas, cinco museus, dois centros culturais e duas bibliotecas. “Se você quiser, você pode ir a dois ou três eventos. Até mesmo de graça. Só você querer!”, comenta sobre a diversidade cultural da região. “Temos todas as raças, pelas raças temos muitas culturas”. Além da cultura, a frequentadora assídua das atrações do centro também aprecia a diversidade de pessoas: “Aqui temos esta diversificação: Você tem gente boa, gente má, gente mais ou menos. Gente bem vestida, gente mal vestida, gente mais ou menos. Que entende das coisas, que entende e mostra que entende, que entende e finge que não entende…”.

Mas essa diversidade muitas vezes chega a atormentá-la. Devido ao grande fluxo de pessoas na região, o bairro sofre com a falta de conscientização das pessoas e elevada taxa de criminalidade. “Já cansei de correr pra ajudar quem está passando mal e pedir ‘você pode me ajudar com esta pessoa’ e ouvir como resposta ‘Estou no meu horário de trabalho!’. Isso não me entra na cabeça!”, conta inconformada com a frieza das pessoas que passam pela região e, a todo momento, tocando e cutucando seu interlocutor, como quem quer quebrar uma barreira. Dona Adria mora sozinha e sente saudades dos tempos em que a região era tranquila. Naquela época, participava de passeios públicos em grupo, interrompidos pela escalada da violência na região. “Ela [São Paulo] tem tudo: tem cultura, tem tradição, mas está perdendo a humanidade”, desabafa.

Mesmo estando sozinha em uma das regiões mais agitadas e solitárias da cidade, não é esse o sentimento que Dona Adria cultiva consigo. “Ninguém é sozinho. Todo mundo tem Deus… e o anjo da guarda, né?”, justifica, contando uma série de situações de apuros das que se livrou graças a estas duas forças sobrenaturais. Os casos vão de tentativa de assassinato pelo marido até queda aviões (!).

Além dos anjos da guarda, a moradora é figura carimbada na região do centro da cidade. Conversa com todos por onde passa, mas ressalta que é muito seletiva em suas amizades. “Às vezes a pessoa não entende o que você fala”, explica. Nestes casos, a relação permanece apenas no cumprimento cordial.

São Remo

“Isso daqui está uma merda!”. É assim que Dona Eva inicia sua fala sobre o bairro onde mora. Famosa na Comunidade São Remo, extremo da Zona Oeste, ao lado da Universidade de São Paulo, Dona Eva mora na região desde 1973 e estava revoltada com a falta de conscientização dos seus vizinhos com a limpeza e manutenção da região. Sua raiva era causada pelo fato de, mais uma vez, o caminhão de lixo não ter passado no local. Não porque ele não tenha ido até a São Remo, mas o acúmulo de carros nas ruas estreitas do bairro impediram que o lixo depositado nos locais de acesso mais difícil fosse recolhido.

 

Bar da Dona Eva, que mora no bairro da São Remo desde 1973.
Bar da Dona Eva, que mora no bairro da São Remo desde 1973.

 

Eva conta que quando chegou no bairro não tinha nada construído, “era tudo barro”. Vinda do Piauí, foi morar em Sorocaba. Seis anos depois, após perder o emprego, foi morar na São Remo e montou sua barraca: um ponto de encontro onde são servidas bebidas e aperitivos. Desde então, apesar das dificuldades, da raiva e do humor alterado do momento, Dona Eva não pensa em abandonar o bairro que outrora a acolhera. “Eu amo a São Remo!”, afirma.

Mas o amor de Dona Eva pelo bairro não custou a encontrar um contraponto. Em pouco tempo, Dona Odete, moradora da região há tanto tempo quanto Eva, se aproximou da conversa. Iniciou-se um longo debate sobre a região. Odete é obstinada a sair da São Remo. Deixa claro que não é feliz no bairro e já comprou uma casa em Cotia. “Ainda não sai daqui porque estou esperando minha aposentadoria”, explica. Sobre os problemas apontados por Eva, e dos quais reclama constantemente, Dona Odete não ousa arrumar confusão com ninguém. “Eu vou reclamar? Eu fico é quieta. Tenho amor à vida”, alerta a moradora que, ao contrário de Eva, parece sustentar um trauma da região.

Quando foi morar na São Remo, conta que buscava água num lago próximo, hoje aterrado. Sua casa era considerada em situação de risco, mas com o tempo o barranco foi “encostado”. Encostado é o termo que Dona Odete usa para designar quando casas são construídas em frente de um barranco a fim de conter seu deslizamento. Ela conta que grande parte da região está levantada sobre uma região aquífera. “Quando fiz o meu barraco, deu 1m20 já dava pra encontrar água”, lembra.

As lembranças do início, entretanto, dão margem às comparações com a situação atual. Dona Eva reclama melhorias feitas no bairro e que muitos representantes da região assumem pra si. “Eu falei pra ele: está vendo ali? tem um buraco. Primeiro você tampa o buraco para depois falar que você está melhorando a comunidade!”, conta Eva sobre quando um representante da associação de moradores falava das melhorias no bairro como conquistas da sua gestão.

 

Bairro tem problemas, mas a participação na associação de moradores ainda é pequena.
Bairro tem problemas, mas a participação na associação de moradores ainda é pequena.

 

Pergunto se elas não participam das reuniões da associação de moradores. Nenhuma das duas participa. Enquanto Dona Eva sabe quem são os representantes e cobra medida de cada um deles, Dona Odete passa longe. “Não vou e nem conheço. Ir lá pra que?Ouvir conversa!? Só quem honrou promessa foi São Severino do Santos”, conta Odete, que só vota em eleição “tradicional”. Para Eva, a solução pra acabar com tudo isso é simples: “Quem deveria cuidar disso aqui era as mulheres!”, reivindica a moradora que não se considera politizada e nem engajada. “É que eu fico revoltada”, explica.

Ambas reclamam da falta de iniciativa dos atuais representantes da associação de moradores. De acordo com elas, situações como a que tirou Dona Eva do sério são ignoradas pelo atual líder da associação. Para Odete “Eles tem é medo da pele deles. Comandar o que? Um bando de marmanjo?!”.

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